terça-feira, 24 de julho de 2012

Encontro de motocicletas clássicas no Sambódromo - HOJE - TERÇA - 24/07‏




Amigos, não esqueçam que hoje, terça-feira, 24/07, a partir das 18h00, temos um encontro marcado com as motocicletas clássicas no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo.
Hoje estará acontecendo a Noite Italiana, que reunirá automóveis, motocicletas e motonetas clássicas italianas. Se você tiver uma moto italiana, uma Lambretta ou uma Vespa, venha com ela.

Um abraço e até a noite.

Gabriel Marazzi


sábado, 5 de maio de 2012

Sob Nova Direção entrevista com Gabriel

Gabriel e Sérgio Albuquerque Jr 
Paulo, Ricardo Oppi, Ari Rocha e Rui Amaral Jr.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

HOMENAGEM AO PILOTO E AMIGO

Não há quem goste de automobilismo e não tenha pelo menos um ídolo nesse esporte. Eu conheci vários pilotos de automóveis na minha vida e sempre tive muitos ídolos. Meu pai era o primeiro deles.
Curti a Fórmula 1 nos anos 70, por isso outro ídolo meu era - e é - o Emerson Fittipaldi. Entre outros.
Ayrton Senna, nem é preciso dizer.
Heróis, mesmo, eram os pilotos dos anos 60, que pilotavam com muita garra e com pouca segurança automóveis que hoje temos receio até em dar umas voltinhas. Bird Clemente é nosso grande exemplo dessa legião de ídolos.
Mas o piloto que quero homenagear aqui não era um profissional, raramente era visto na mídia e tampouco ganhou algum campeonato de grande importância. Mas era um dos meus ídolos. Eu cheguei a dizer isso para ele.
Renato Gouveia era um piloto/mecânico que gostava do que fazia. Conheci-o em minha escola de pilotagem lá pelo fim dos anos 80, pilotando um Chevrolet Camaro 1974 que foi, aos poucos, se transformando em um autêntico Stock Car.
Garra nunca faltou para o Renato. Nunca esqueço o dia em que eu estava perambulando pelos boxes de Interlagos, durante uma curta prova de Formula Classic (umas 11 voltas, eu acho), quando o Renatão para em frente ao seu box, olha lá dentro e não há ninguém. Ele sai do carro, tira capacete e luvas, abre o capô de seu Camaro branco, pega umas ferramentas sabe lá de onde e começa a mexer no motor. Logo em seguida bate o capô, larga as ferramentas sabe lá onde, recoloca capacete e luvas e volta para a corrida. A tempo de receber a bandeirada de chegada.
Assim era o Renato. Tocava o trombone, o violino, o contra-baixo, o bumbo e ainda conduzia a orquestra.
Ontem seu filho Ricardo, que lá pelos seus 8 anos (acho eu), debulhava karts lá na pista de Itú (pelo menos debulhou um meu), me enviou as fotos que publico a seguir.
Todo garoto tem seu herói. O meu era o meu pai. Certamente o do Ricardo também era o pai dele.
 Ricardo Gouveia e Renato Gouveia no Opala Stock Car do Curso Marazzi de Pilotagem
 Ricardo de macacão azul e listas brancas no pódio de uma das provas de Fórmula Classic
 Ricardo Gouveia e Antonio Buono ao lado do antológico Chevrolet Camaro
Turminha posando durante uma das aulas do Curso Marazzi de Pilotagem
 Final de corrida em parceria com Fabio Steinbruch: terceiro lugar. Em segundo, Reynaldo e Buono
Staff do Curso Marazzi de Pilotagem:Gilberto, Edison, Irineu e Flávio

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

LEMBRANÇAS


Turismo 5.000 - Expedito, José Geraldo Kawabe, Ney Faustini, João Videira e João Lindau


Tenho recebido inúmeras fotos e nelas sempre uma surpresa agradável, outro dia recebi da Sueli irmã do João Lindau uma foto dele no podium em Interlagos e ao abrir a foto vejo o Expedito ao lado do João e os outros pilotos. Parece ser uma corrida de Turismo 5.000 e o vencedor reconhecido por meu amigo Luiz Guimarães é o Ney Faustini, infelizmente não sei o nome dos outros dois pilotos e se alguém souber gostaria de também cita-los.

Ontem foi a vez do Tito, já mostrei aqui as artes maravilhosas que ele faz para nossos carros da Divisão 3, que me enviou uma foto do Francisco Freire, nela o Expedito correndo no Rio está também o Álvaro Guimarães, a outra é da mesma corrida num bafafá na curva Sul, as fotos são de 1979 e dessa corrida o próprio Expedito fez a matéria que coloco a seguir e foi enviada pelo Jr Lara Campos.

Agradeço as fotos e texto a meus amigos Sueli Lindau, Jr Lara Campos, Tito e Francisco Freire.

Rui Amaral Jr



1979 bafafá na curva Sul do Autódromo do Rio, Jr Lara vem ponteando com J.A. Bruno e Amadeu Campos em sua cola e Arturo Fernandes. Mais atrás. Álvaro Guimarães roda e Expedito se enrola com um carro da DIMEP




Expedito e Álvaro Guimarães


A seguir o texto do Expedito para esta corrida
Expedito Marazzi

"Eu sempre gostei de correr de automóvel. Faço isso já há alguns anos. Participei de talvez mais de cem corridas, pegando o fim diz era das carreteras, passando pela tempo das Equipes de Fabrica e chegando hoje, na monomarca.


Mas existe uma categoria que é toda especial: A Divisão 3 a bem da verdade é preciso que se diga que eu comecei nela apenas no ano passado, quando fiz somente uma corrida noturna. Mas neste ano acabo de participar da terceira prova do Torneio Rio/S. Paulo, no Autódromo de Jacarepaguá.

É estranho que, mesmo sem conseguir um bom resultado, eu tenha me apaixonado pela categoria. É que se trata de algo muito especial não somente os carros são diferentes na maioria bezouros - e uns poucos Passats, completamente modificados. Com as latarias "engordadas" a fim de cobrir os pneus largos do tipo "slick". E com os motores muito envenenados, muito velozes e, por Isso mesmo, muito fáceis de quebrar. . . O Lara Campos, por exemplo, leva consigo nada menos do que quatro motores de reserva. Seu carro tem conseguido bons resultados, mas as vezes ele é obrigado a usar todos os motores. Mas quase todos os demais participantes tem sempre, no mínimo, dois motores de reserva...

A verdade é que o pessoal é todo muito unido: na pista cada qual quer ganhar de qualquer jeito, desde que não prejudique os demais. Mas se qualquer um dos participantes sofrer uma injustiça por parte dos organizadores imediatamente todos se unem a fim de defendê-lo.

Nesta corrida do Rio, por exemplo, aconteceu algo assim comigo.

Meu carro não estava bem acertado, pois o Toninho, o dono da, Equipe Motor Girus, não teve tempo de fazer nenhum treino. Assim, a muito custo, depois de terem faltados os freios, de ter sido trocado o motor, de ter sido improvisado um jogo de amortecedores e demais providências que custaram o sábado inteiro, prejudicando inclusive uma melhor classificado (ficamos em 13º. no grid), conseguimos largar.

Largar é uma palavra mágica, uma espécie de, vitória antecipada ... quando se consegue realmente por o carro na pista. A largada falsa que se usa no Rio, inclusive, é muito ruim para os pilotos, mas, vai lá. Fui andando no meio do bolo, até as posições mais ou menos se definirem. De repente, o grande inimigo da Divisão 3 apareceu: o óleo na pista. Logo surgiu também uma bandeira preta tirando o carro que estava sujando a pista e eu fiquei contente pela presteza com que isso aconteceu. Continuei andando, ao fim da bateria, sem lutar com ninguém, pois havia um bolo à minha frente, que eu não podia alcançar e um bolo à minha retaguarda, que não podia - por sua vez - me alcançar. Salvo um piloto, egresso da Divisão 1 onde se costuma dar "totós" (e ele ainda tinha esse mau cos­tume) que me empurrou por trás tudo foi normal.

Quando parei, porém, qual não foi a minha surpresa ao ser informa­do de que estava desclassificado, porque desrespeitara a bandeira preta. De nada adiantou argumentar que meu carro não estava jogando óleo (era apenas uma mangueira mais baixa) e que eu não vira a bandeirada para mim. A decisão das autoridades da prova era irreversível.

Muito chateado voltei ao Box e e meu Chefe de Equipe estava macambúzio. Ai chegou o repórter Sidney, deste jornal, e quis saber do que se tratava. Inteirado de tudo sugeriu: é um caso para o Edson Yoshikuma. Este, que acabara de vencer a bateria após uma árdua luta com Affonso Giaffone Jr., ainda enxugava o suor, quando imediatamente tomou as dores da injustiça sofrida por mim. Foi parlamentar com os responsáveis pela corrida, que se mostraram irredutíveis na decisão tomada. Então a confusão foi crescendo e todos os pilotos inscritos se reuniram com o Yoshikuma e resolveram: ou o Marazzi larga na posição que lhe coube, ou ninguém larga. Até os dois gaúchos, que estavam participando "hors concours'' pela primeira vez acrescentaram: "Oi tché, se alguém largar nós quebra os para brisas deles”.

Nessas alturas a decisão foi reconsiderada e eu fui procurado com um pedido de desculpas, onde me informavam que deveria me aprontar para a largada, no lugar correto.

Sinceramente, fiquei comovido, a ponto de meus olhos quererem me trair, deixando escapar algumas lacrimas. Jamais, em corridas, eu havia sido tratado com tamanha consideração. Todos os pilotos, in­clusive os ponteiros habituais como Amadeu Campos, Arturo Femandes - todos, enfim - não somente haviam apoiado a "blitz " como foram me defender essoalmente. Quando fui agradecer ao Yoshikuma, ele simplesmente me disse: "Não há o que agradecer, faríamos isso por qualquer um de nós ".

Na segunda bateria, embora o, meu carro fosse o mesmo, fiquei tão animado que consegui terminar umas três posições à frente ( 15º na primeira e 12º na segunda ). Mas eu corria com um sorriso de orelha a orelha. Pouco me importava que a minha posição fosse aquela ou até mesmo o último lugar: eu estava muito feliz porque me sentia integrado numa sociedade de gente boa, que falava a minha linguagem, acelerava um bocado na pista, mas continuava a ser gente fora dela. Edson Yoshikuma desta vez, penso conseguiu chegar na frente de Giaffone: inverteram-se as posições. Mas para todos os pilotos da Divisão 3 ele é o grande vencedor, o líder que defende os direitos de cada um. Por isso gosto de correr de Divisão 3 ... e não pretendo parar tão já!


OS ACIDENTES

Houve alguns acidentes na prova do Rio, que eu pude ver: um deles aconteceu no inicio da segunda bateria, quando o carro de Jefferson Elias tentou passar o carro de Dimas de Melo Pimenta, na curva que antecede aos boxes. Acabou se en­roscando e ambos rodaram, saindo da pista!. Mais tarde o mesmo Jefferson saiu da pista na curva veloz que existe após o box - aquela, que se faz em quarta de pé em baixo. Curioso que , algumas voltas depois, um Passat marrom que eu não pude ver de quem era capotou e foi ficar parado pertinho do carro de Jeffeson. Outro Passat, vermelho, capotou na curva Sul, após o retão.
Felizmente ninguém se machucou, nem mesmo os motociclistas, que correram entre as baterias da Divisão 3 e caíram pra valer. Aliás, ninguém gostou da idéia de unir motos e carros no mesmo dia, nem pilotos nem motoqueiros. Parece que isso não vai mais acontecer.
Eu não pude ver a corrida no seu enfoque geral, pois estava participando dela. Mas o meu mecânico preparador, o Ney, que fica torcendo - elétrico - nos boxes, no final me contou tudo o que aconteceu. Além dos destaques de Yoshikuma e Giaffone, que ficaram com os dois primeiros lugares, os carros do Sul andaram muito bem, passando todos os outros nas retas. Havia até quem achasse que seus motores estavam fora do regulamento. Amadeu Campos ficou em terceiro lugar, na soma dos pontos, usando já os pneus com novo composto. Lara Campos ficou em quinto, Amadeu Rodrigues em sétimo, José Antonio Bruno, em oitavo, Alvaro Guimarães em nono e a Passat de João Franco em décimo, Nós tivemos de nos contentar com o 13º. Mas valeu a pena".

domingo, 13 de junho de 2010

MARAZZI-VÊ






Luis Testa já havia me enviado algumas fotos de seu irmão em seu monoposto Marazzi-Vê, o primeiro a ser produzido pelo Expedito. Agora ele me envia mais algumas fotos, desta vez de uma preliminar da Fórmula 1 em 1980. Abaixo, reproduzo o seu texto no e-mail.

Obrigado, Luis.

Fala Gabriel!
Eu te mandei a foto com o meu irmão no 1º Marazzi-Vê, construído e vendido para meu irmão Clovis Testa. Agora estou lhe enviando quatro fotos da preliminar da corrida de Fórmula 1 do ano de 1980. Eu mesmo bati as fotos, pode-se ver o carro do Raul Boesel e do meu irmão lado a lado e o Professor Marazzi sempre por perto, dando uma força!
O fotógrafo aqui está prá lá de meia boca, mas acho que vale o registro!
Forte Abraço!
Luis Testa
Nas fotos, Chico Greche, Clovis Testa e Marazzi. O barbudo em uma das fotos não lembro o nome, mas era aluno do curso de pilotagem.

Na foto maior em que os três aparecem, vemos ao fundo o Ney, "Neizinho", lá do Pari. Bom amigo, excelente mecânico e nessa época nosso mecânico lá na Escola de Pilotagem.

Ney, por onde você anda?

G.M.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O CARRO

Novamente estamos aqui recordando. Aos amigos que ainda tem paciência de abrir este blog e então ver que quase nunca há algo de novo, só tenho a agradecer. Como é o caso do Rui, que nos mandou as fotos dos papermodels. Confesso que fiquei emocionado ao ver o "penico" de Divisão 3 do meu pai. Tanto que ele merece a foto do carro original, pela qual dá para notar a alta qualidade do trabalho dos artistas.

terça-feira, 2 de março de 2010

PAPERMODEL

Tudo começou quando o Flávio Tito Tilp começou a fazer os VW D3 para o simulador R-FACTOR, juntou-se a ele o Caranguejo, profundo conhecedor de nosso automobilismo. A certa altura e já com os VW D3 andando no simulador parece que deu um probleminha com o dono dos direitos e aí eles conheceram outros dois malucos por história do automobilismo e D3 e começaram a fazer suas maravilhas em papelão para os slotcar ou melhor dizendo autorama. Ah! os dois malucos de São Paulo que se juntaram ao Tito e Caranguejo que são do Sul são o Fabiano Guimarães e Fabio Poppi. Vejam as maravilhas que eles fizeram, em primeiro o carro de meu amigo Expedito para o R-FACTOR depois para o autorama em papermodel, obra de meu amigo Fabio Poppi. 
A versão R-FACTOR - Tito Tilp

A versão autorama em papermodel do Fabio Poppi



Jr Lara Campos.

Arturo Fernandes.

Guaraná.

Meu carro nas Mil Milhas de 1984.

As réplicas do Fabio em Paperslotcar.

Quero agradecer a meus quatro amigos todo tempo que eles gastaram em pesquisas e trabalho manual para mostrar a  nós todos esses carros que correram na saudosa D3, lembrando os que nela participaram. Abaixo o link para os blogs do Tito e Fabio.

Tito Tilp        http://titotilp.blogspot.com/

  

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

QUEM É O IDOSO?

Depois de muitas broncas dos amigos, volto a publicar alguma coisa neste blog. Ainda mereço mais broncas, já que me afastei dos assuntos principais, mas eu chego lá.
Meu amigo Renato Correa, o Renatão, me passou a foto acima com a dúvida do título: "Quem seria o idoso, o carro ou o dono?" Provavelmente os dois, eu diria.
O flagrante, clicado pela sua esposa Ana Cristina Reis, ocorreu no estacionamento de um supermercado no Morumbi, bairro de São Paulo, nestes últimos dias.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

AO MESTRE COM CARINHO




ESTOU CONVENCIDO: CORRIDA É COISA IMPORTANTE
Sábado, 23 horas. Estou em casa vendo um filme na TV, quando toca o telefone. É o Mathias Petrich, da Volkswagen:
- Marazzi, amanhã cedo você está convidado para conhecer o Audi Quattro, o carro que está vencendo o Campeonato Mundial de Rallyes. Seus pilotos estarão lá!
Dia seguinte estou sentado naquela máquina maravilhosa, observando todos os detalhes de sua construção e admirando os 330 cavalos DIN que o motor 5 cilindros de 2,2 litros, turbinado, desenvolve a 9.000 rpm. E assisto ao filme no qual as equipes que disputam aquele campeonato dão um verdadeiro show de direção.
Às 10 horas da manhã, estou de volta. Ligo a TV e fico torcendo para o Nelsinho Piquet, que sai na frente do G.P. de Hockenheim e aumenta sua diferença, volta por volta. Vejo estarrecido a barbeiragem (proposital?) do chileno Eliseo Salazar, que nos rouba a vitória e também o campeonato, provavelmente. Lamento que o chute dado por Nelsinho não tenha atingido o alvo.
Subo na minha motoca e minutos depois estou em Interlagos, vibrando com a vitória do meu ex-aluno Marco "Largatixa" Greco, na 350 especial. Deploro que tenham largado, na prova seguinte, apenas quatro motos. Mas, mesmo assim, o espetáculo foi bonito. Nas provas seguintes, de monomarca, o entusiasmo e o bom número de concorrentes habitual.
Mas não pude ficar até o fim, pois voltei correndo a sentar-me frente à TV, para assistir a mais uma etapa da Hot-Car, no Rio de Janeiro, onde torci pela vitória do meu outro ex-aluno, Egidio "Chichola" Micci. A corrida foi linda, disputada, apesar do pequeno número de concorrentes (largaram apenas 17).
Subi na motoca novamente e, desta vez, rumei para o lado oposto: fui até o hipódromo de Vila Guilherme, onde estava sendo disputada mais uma rodada do Campeonato Brasileiro de Autocross, a nova modalidade de competição motorizada que está empolgando. E ainda pude assistir às duas finais, de "Baja Bugs" e de "Gaiolas", esta última tremendamente disputada, com 24 concorrentes numa pistinha de terra com menos de um quilômetro de extensão.
Ufa! Que domingo motorizado e corrido! Quando voltei para casa estava exausto, mas muito feliz, porque fiquei me lembrando de quando as coisas não era assim.
De fato, nunca parei para pensar nisto, mas como o brasileiro gosta de esportes motorizados, não? Há alguns anos, a prova máxima era a "Mil Milhas", uma vez por ano, apenas. A gente ficava o ano todo esperando por ela. De vez em quando havia uma corrida em Interlagos, e os concorrentes eram quase sempre os mesmos. De raro em raro surgia uma novidade. O número total de corridas, no Brasil, numa temporada, era da ordem de uma dúzia ...
Agora, em pouco mais de 24 horas, participei de cinco eventos competitivos motorizados, importantes, torcendo por brasileiros!
Este pensamento me fez olhar as corridas por outro lado. Como coisa séria. Como coisa importante. Não como coisa de moleques. Na verdade, de tanto batalhar inutilmente pelas corridas no Brasil, de tanto ouvir negativas de patrocinadores em potencial, de gente metida a importante, engravatada, atrás de imponentes escrivaninhas, eu acabei ficando meio inseguro. Será que, realmente, isso tudo não passa de brincadeira de quem não tem o que fazer? Certa feita, eu vinha de Interlagos, rebocando numa carreta um dos meus fórmulas 1.300, usado nas aulas práticas de minha escola de pilotagem. De repente, um executivo do tipo descrito acima sentiu-se "fechado", pela carreta, me fez parar e me agrediu com palavras pesadas e entre outras "pérolas" saiu-se com esta: "Você está prejudicando o Brasil, gastando combustível com essa porcaria de corridas ... "
Mas agora, depois desse domingo festivo, em que milhões de pessoas não somente aqui no Brasil, mas em toda a parte do mundo, graças à TV vibravam, do mesmo jeito que eu, com as competições motorizadas, tive a certeza de que não desperdicei a minha vida.
Ah! Quem me dera que pessoas importantes pudessem ser convencidas dessa grande verdade! Que os homens que administram as verbas de propaganda das empresas importantes, especialmente as que fabricam automóveis e motocicletas, deixassem de ser emproados e mentirosos e admitissem que as corridas vendem de verdade os seus produtos. Que os homens do Governo sentissem a "força" dessas competições e facilitassem a vida dos corredores e das equipes, ao invés de complicá-Ias.
Fangio jamais escondeu que a Casa Rosada, no tempo de Peron, era o seu maior patrocinador. Porque sua presença marcante nas pistas européias era um cartão de visitas para a Argentina.
Aqui no Brasil, o coitado do Emerson teve de botar a boca no mundo e cobrar tudo o que ele havia feito, para ver se conseguia uma mãozinha oficial, lembram -se?
Então, no que ficamos? Bem, algumas coisas estão se esclarecendo. Por exemplo, na Europa, ninguém mais duvida que o brasileiro é um excelente piloto. Praticamente todos os que foram correr lá fora, de um jeito ou de outro, tiveram seus brilharecos. De modo geral, os ingleses e, com maior amplitude, os europeus, respeitam muito os brasileiros, como bons pilotos.
Só falta mesmo que os próprios brasileiros passem a respeitar os pilotos brasileiros como gente normal, que têm uma profissão como qualquer outra. .
Certa feita fui a um banco, pedir um financiamento. Minha ficha estava quase aprovada, quando o gerente soube que eu era piloto de competição, além de jornalista. Pronto: foi água na fervura, o financiamento não saiu.
Em outra ocasião, fui procurado por um agente de companhia de seguros, que pretendia vender uma apólice. Conversa vai, conversa vem, ele acabou desistindo da venda, quando soube que eu participava de corridas de automóveis e motocicletas.
Essa, agora, não aconteceu comigo, mas fui testemunha: o vetusto pai de família, vetando o namoro da filha com o moço que a cortejava. Justificativa: "Ele é um louco! Imagine que até corre de motocicleta ...
Outra, mais dolorosa, de um "amigão" meu, diretor de uma empresa que estudava a minha contratação como funcionário, para a área de promoções. "Infelizmente, Marazzi, não vai dar. Nós precisamos de uma pessoa mais séria e você continua com aquela sua mania de corridas. Quando você vai criar juizo?" Isso tem de acabar ...
Expedito Marazzi

NT : Ontem, conversando com o Gabriel e comentando este texto, disse-lhe que gostaria de postá-lo. Fora isso, combinei com o José Martins Jr. de escrevermos histórias suas com o Expedito . Não esqueci, Martins , logo nos reencontraremos.
Primoroso este texto do Expedito, ele mostra toda sua paixão pelo esporte motorizado. Agora, cá entre nós, duvido que ele tenha ouvido quieto todas bobagens que o executivozinho lhe falou !!!!!

Texto revista MOTOR3 nº 27 Setembro de 1982



quarta-feira, 29 de julho de 2009

HISTÓRIAS CONTADAS NOS BOXES




Esta história meu amigo Mario Marcio tirou do fundo do baú. Esse campeonato nos tirava o sono, mas juro que não me lembro desse episódio.


“Em 1972, a Estrela lançou o Campeonato Nacional de Autorama Emerson Fittipaldi: o vencedor passaria um dia inteiro com Emerson Fittipaldi, um sonho para qualquer garoto da época. Gabriel e eu logicamente nos escrevemos, iríamos correr com as nossos Brabham BT34 que havíamos acabado de comprar e, segundo especialistas, “voavam baixo”.

As corridas eram sempre aos domingos pela manhã na pista do Ibirapuera, em um total de quatro corridas. Passávamos as noites de sábado desmontando, regulando e pintando os carros que eram sempre destaques nas corridas pela beleza, conservação e desempenho, pena que os dois pilotos ficavam nervosos e não iam bem nas provas. Os melhores resultados foram um terceiro do Gabriel e um quarto meu. Por idéia do Expedito, sempre corríamos em baterias separadas para não fazermos concorrência um ao outro, já que somente o primeiro lugar se classificava para as semifinais.

Expedito sempre nos levava para a pista nos dias de competição no seu lindo Dodge Dart preto. No caminho mostrávamos os carros a ele, que sempre participava com enorme entusiasmo. Num desses domingos, porém, ele nos levou num lindo Maverick LDO que ele estava testando para Revista Quatro Rodas. Era um belo carro de cor champanhe, novinho. Chovia muito aquele dia e, quando chegamos ao Ibirapuera, Expedito, não querendo pegar chuva, resolveu “estacionar” o carro o mais próximo posseivel da pista. Só que a manobra incluía descer um escada de uns quinze degraus.

– Será que eu consigo? Pergunta Expedito.

– Vai raspar o fundo. Diz Gabriel.

Ops, ops, ooo...

Dum, dum, dum, dum...

– Foi, viu, viu, viu? Não raspou nada, comemora Marazzi.

– Mas como vamos sair daqui? Questiona Expedito coçando a cabeça e rindo com um garoto que fez uma travessura.

– Bom, depois eu penso nisso.

E fomos para a pista levar outro “esfrega” da garotada.

Na hora de sair, ele colocou o carro meio de lado em frente à escada e acelerou fundo, o carro cantou os pneus de um pulo e subiu fácil, sob olhares incrédulos de diversos pais que deviam esta se perguntando “Quem era aquele louco que fazia aquilo com um carrão daqueles?”.

Coisas de Marazzi”

Mario Marcio Souto Maior

HISTÓRIAS CONTADAS NOS BOXES


Mais uma história contada pelo Irineu, no seu tempo de aluno do Curso Marazzi de Pilotagem. Depois se tornaria um dos instrutores da escola.

"Nunca passei tanta agonia como na quarta-feira em que iria fazer minha avaliação prática no Curso Marazzi de Pilotagem. Já tinha feito a teórica na sede da escola, na Lapa, e já tinha conseguido minha nota máxima. Era o mínimo que eu poderia fazer em retribuição à dedicação do Expedito em responder pacientemente às centenas de perguntas com as quais eu o bombardeava ininterruptamente.

Na manhã dessa quarta-feira resolví fazer uma boa revisão no motor do meu Passat, já que ele teria que andar abaixo dos 4'20" na prova prática. E eu queria andar bem abaixo disso. Em vez de ir para a faculdade saí à caça de velas, cabos de vela, tampa do distribuidor, platinado, condensador, bobina e cabo de bobina novos para substituir os que estavam no carro. Depois disso uma boa avançada no ponto de ignição, tanque cheio de gasolina azul, quarenta libras nos pneus e... pista!

O carro, que na terça-feira me levou e me trouxe de volta da sede da escola, se recusou a ligar depois de trocadas todas as peças. Foi chegando a hora de ir para Interlagos e nada do motor dar sinal de vida. Meu avô chegou em casa, coisa que fazia todas as quartas-feiras depois do almoço e nada do motor dar sinal de vida. Desesperado, liguei para o Helmut, mecânico alemão do meu bairro especialista em VW, implorando para que viesse à minha casa imediatamente.

A essa altura minha mãe e meu avô já andavam atrás de mim, preocupadíssimos, com xícaras de chá de erva-doce e calmantes, que eu recusava para não ter os reflexos diminuídos.

O Helmut chegou meia hora depois de começada a aula em Interlagos. Por volta das cinco da tarde o maldito motor voltou a funcionar. E lá se foi a minha prova prática...

P.S. Na quarta-feira seguinte fiz minha avaliação prática e virei bem abaixo de 4’20”.

Irineu Desgualdo Jr.


TROFÉU EXPEDITO MARAZZI


Expedito Marazzi é reconhecido como sendo o precursor dos testes de avaliação de desempenho dos automóveis nacionais. Atuando como jornalista especializado em automóveis na Revista Quatro Rodas de 1962 até 1974, ele não inventou os testes, mas criou uma linguagem pela qual o leitor capta não só o resultado de das medições de desempenho, mas, principalmente, as sensações pelas quais passa o condutor ao dirigir aquele veiculo. Mesmo sem saber, a grande maioria dos profissionais dessa área atualmente - naquela época, quase 50 anos atrás, ele era um dos poucos atuantes nesse ramo - foram influenciados pelo seu modo de descrever técnica e dinâmica automotiva.
Tendo terminado sua jornada aqui na terra há mais de 20 anos, é natural que muitos leitores mais jovens de revistas não tenham sequer ouvido falar de Expedito Marazzi, mas o que acontece é que os próprios jornalistas desse ramo desconhecem a sua história. Para homenageá-lo, os organizadores do ABC Old Car, encontro anual de automóveis antigos que acontece no município paulista de São Caetano do Sul, criou o troféu Expedito Marazzi, que premiará o melhor veículo nacional do evento.

Obrigado pela homenagem.

Veja a seguir o texto de divulgação do evento.

III ABC Old Car – Antigos no Campus

Um tributo ao jornalista Expedito Marazzi!

A partir dessa edição, a exposição que acontece no Campus da faculdade Mauá, em São Caetano do Sul, passa a premiar o melhor carro nacional com o troféu em homenagem ao jornalista que desenvolveu o método de teste usado em revistas especializadas.

Outra novidade da terceira edição do ABC Old Car & Parts – Antigos no Campus, que acontece nos próximos dias 31 de julho a 02 de agosto próximo no Campus da Universidade Mauá, em São Caetano do Sul, é que a partir desta edição, a exposição passa a destacar o melhor carro nacional da mostra com o Troféu Expedito Marazzi. O prêmio foi criado para homenagear um dos grandes nomes do jornalismo especializado automotivo e que teve sua vida marcada pela paixão e envolvimento com o mundo dos automóveis. “A sugestão da homenagem partiu de Paulo Sergio Rodrigues, conhecido colecionador de São Paulo e foi imediatamente aceita por nós” afirma Ervin Moretti, coordenador do grupo de premiação. Na opinião de Paulo, a história de vida de Expedito Marazzi é de alta relevância para a industria nacional.

Acolhido e autorizado pelo filho Gabriel, também jornalista e colecionador, o Troféu será vitalício no evento. Marazzi, como ficou conhecido, teve seu primeiro contato com o mundo dos automóveis aos quatro anos, quando esteve presente na inauguração do Autódromo de Interlagos, em 1940. Aos dezessete anos começou a competir escondido do pai, usando um MG. Descoberto, teve que desistir da carreira. Quando voltou às pistas, dez anos depois, já era repórter da revista Quatro Rodas, onde permaneceu entre 1962 a 1974.

Marazzi foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento e criação da linguagem de testes e avaliações de automóveis e motocicletas, uma metodologia usada até hoje pelas revistas brasileiras que buscam levar uma informação mais detalhada dos veículos aos seus leitores. Ao deixar a Quatro Rodas seguiu para a Editora Bloch, escrevendo para as revistas Manchete e Fatos & Fotos, sempre sobre automobilismo e motociclismo. Também editou as revistas Auto Esporte, Motor Três e finalmente a Caminhoneiro.

Marazzi tem outros feitos em seu currículo. Foi dele, por exemplo, a iniciativa de criar no Brasil o primeiro curso de pilotagem, em 1966. O Cursa Marazzi de Pilotagem de competição foi inspirado no curso ministrado na Itália por Piero Taruffi e as aulas práticas aconteciam no Autódromo de Interlagos e funcionou até 1998, quando mudou a razão social para Centro de Pilotagem do Roberto Manzini. Graças ao seu conhecimento e simpatia. Marazzi circulava em todas as rodas do automobilismo e foi amigo de muitos pilotos importantes, como Emerson Fittipaldi, entre outros. Expedito Marazzi faleceu em dezembro de 1988 em acidente automobilístico em pleno exercício da profissão. Testando um caminhão.

Troféu Lenker - Todos os automóveis que serão destacadas pelo corpo de jurados vai receber um troféu especial desenhado e produzido pela Lenker, conceituado fabricante de volantes especiais. Em homenagem à empresa, apoiadora dos eventos de autos antigos, a organização decidiu dar o da premiação de Troféu Lenker. A peça é uma verdadeira obra de arte. Trata-se de um mini volante de 17 centímetros de diâmetro, baseado no modelo clássico LT, de quatro hastes, produzido em escala normal e em série pela empresa. “Para nós é uma grande honra produzir e dar o nome ao troféu, pois ele representa para seu ganhador o reconhecimento de um trabalho de alta qualidade, exatamente como é a filosofia da nossa empresa”, salienta Miguel de Mauro, empresário e dono da empresa.

VEJA MAIS INFORMAÇÕES NO SITE WWW.ABCOLDCAR.COM.BR

Ficha do Serviço

III ABC Old Car & Parts – Antigos no Campus
Tema Central: Os 50 anos do Fusca no Brasil
Data: 31 de julho a 02 de agosto,
Horário: das 8h ás 19h.
Entrada: 2kg de alimentos não perecíveis
Destino dos alimentos: em prol da Diocese de Santo André (Grande ABC).

Local: Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia – Campus de São Caetano do Sul – Praça Mauá 1 – São Caetano do Sul – SP
Expositores: Contato com a HP Press Eventos
Telefones: (11) 4421-3993/ 2564-2810 / 8554-9878
E-mail:
abcoldcar@hppress.com.br
Outras informações e fotos no site www.abcoldcar.com.br

terça-feira, 23 de junho de 2009

O RETORNO ÀS PISTAS

Momentos antes da largada, Expedito com seu Dauphine ao fundo e,

com a tampa do motor aberta, o Volkswagen número 15 de Ari Rocha


por Expedito Marazzi


Como repórter da Revista Quatro Rodas fui fazer uma reportagem na FAU, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde os carrozieri Pininfarina e Ghia fariam uma palestra. Lá conheci Ari Antonio da Rocha, um garotão estudante de arquitetura também apaixonado por automóveis que mais tarde se tornaria um dos mais importante designers de automóveis do País. Ficamos muito amigos e passamos a frequentar o Autódromo de Interlagos. Um desses dias resolvemos nos inscrever em uma corrida para estreantes, com automóveis nacionais. Era 1963, eu tinha um Dauphine 1959 e ele “roubaria” o Fusquinha de seu pai. Era o II Prêmio Aniversário ACESP, realizado em 30 de junho. Nós correríamos no sábado, 29.

Levei o Dauphine à Corsa, uma speed shop perto da Dacon que estava na moda, cujos donos eram Sérgio Cabeleira, Cacaio, Bruno Barracano e Anísio Campos. Lá conheci vários futuros grandes pilotos, como Moco, que estrearia na mesma corrida que eu, Carol Figueiredo, Wilson Fittipaldi, Marivaldo Fernandes e muitos outros. Como Eles não mexiam em Dauphine, apenas em DKW, Cabeleira me recomendou a Torke, de Luis Pereira Bueno. Luisinho deu uma tremenda acertada no motor do Dauphine e me vendeu meu primeiro capacete, que mais parecia um penico. Foi lá que conheci Chiquinho Lameirão.

Bem, da corrida pouco tenho para contar, os mais velozes viravam 4’30”, a maioria 5’ e meu Dauphine lá pelos 6’. Cheguei em 16o lugar, na categoria até 1.300, depois de várias desclassificações por descumprimento do regulamento e de eu ter ultrapassado o VW de Fernando Borragina. O Ari chegou em 15o com seu Fusca 1.200, mas bateu o carro que era do seu pai ao sair do autódromo e quase encerrou sua carreira de piloto.

terça-feira, 16 de junho de 2009

HISTÓRIAS CONTADAS NOS BOXES


Mario Marcio Souto Maior é um amigo meu desde fins dos anos 60, e morava três casas ao lado da minha. Crescemos  e passamos a adolescência juntos, curtindo muito rock, autorama e, é claro, aulas do Curso Marazzi de Pilotagem. Morando em Macaé, no Rio de Janeiro, há muito tempo, não temos muitas oportunidades de nos encontrar, mas sempre que conversamos o assunto é o mesmo: automóveis e lembranças de Interlagos. É dele a história a seguir:

"Corria o ano de 1971, minha família havia se mudado há pouco para uma casa vizinha à do Marazzi. Por uma destas providenciais coincidências, o Expedito estava trabalhando na Mercedes-Benz, onde meu pai, “Seu” Wilson, também trabalhava, de forma que os dois logo fizeram uma grande amizade. Na época meu irmão mais velho, Marco Antonio, tinha sofrido um pequeno acidente na esquina da rua Heitor Penteado com avenida Pompéia, quando um motorista deixou o carro voltar para trás quando o semáforo abriu, amassando um pouquinho o capô do seu Fuscão. À noite, quando os dois chegaram do trabalho, o Marazzi viu o carro amassado e disse ao meu irmão:

- Fiquei com tanta pena do seu carrinho que vou te dar um curso de pilotagem grátis!

Meu irmão pulou de alegria, aparentemente não percebendo a piada do Expedito.

Foi então que fiz pela primeira vez o curso do Marazzi, apenas a parte teórica, é claro, pois eu tinha só 13 anos. As aulas teóricas eram ministradas na sede da Rua Iperoig 611, no bairro das Perdizes, nas noites de segunda-feira. As aulas eram sempre muito divertidas e engraçadas e, invariavelmente, acabavam com um torneio de “queda de braço” entre os alunos e o Expedito, que se orgulhava da sua técnica de “travar” o cotovelo. Era quase impossível vencê-lo. Lembro-me que numa destas aulas o Marazzi estava explicando a técnica de curva usando o “despetalar da margarida”, quando um aluno comentou que era mais fácil fazer a curva dando pequenos toques no volante, como muitos faziam, mas sem saber o porquê. Marazzi virou pro cara e disse:

- Só se você for mau aluno. E péssimo piloto. Você sabe como surgiu esta mania absurda de dar toquinhos no volante?

O cara respondeu que não e ai o Expedito explicou:

- Na época em que se corria em ruas de paralelepípedo, com os trilhos de bonde, os pilotos tentavam ao máximo manter as rodas dos carros em cima dos trilhos, assim conseguiam ser muito mais rápidos. Quando iam fazer as curvas, colocavam somente as rodas externas à curva no trilho e as internas no paralelepípedo, para aumentar a aderência, e para fazer isso eles davam pequenos toques no volante, de forma que quem via de fora achava que isso era uma técnica de volante para se fazer curva. A coisa acabou se espalhando por todos os cantos, mas na realidade nas pistas modernas este vicio só serve para desequilibrar o carro.

O aluno ficou meio sem graça pelo seu comentário, mas aprendeu sua lição. E todos agora sabíamos o porquê daquela tola “técnica” do toque.

Depois dessa aula, rolou mais uma rodada de “queda de braço”, Expedito vencendo a maioria, inclusive com dois alunos juntos tentando derrotá-lo."

Mario Marcio Souto Maior 

Valeu, Mario, você viveu as mesmas coisa que eu, mas certamente viu com outros olhos.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

HISTÓRIAS CONTADAS NOS BOXES



O Curso Marazzi de Pilotagem teria hoje quase 43 anos de vida. Foram 22 com o Expedito, 10 comigo e quase 11 anos de saudades desde que a Escola passou pro Manzini. Nesses anos todos, o que nunca faltou foram histórias contadas nos boxes, geralmente nos intervalos das aulas práticas em Interlagos, quando instrutores e alunos relaxavam. Coisas inusitadas que aconteciam nas próprias aulas, como aquele caso que nunca esqueço do aluno que jurava ter ouvido um passarinho cantar do lado de fora de seu carro, em plena curva Dois, com capacete e vidros fechados. Ou então aquela manobra mágica que o salvou de uma rodada no Laranja, salvando também sua reputação, já que ninguém fazia cagada nessa curva sem ser gozado ao chegar aos boxes. Mas serviam também histórias contadas na mesa do bar ou da pizzaria, em meio a um chope e outro, depois das aulas, ou mesmo as histórias que até hoje escuto dos antigos alunos que viraram amigos.

Por esse motivo inauguro aqui um tópico com o título acima, no qual postarei todas as histórias que vocês me mandarem. Vasculhem sua memória que, tenho certeza, contém muitas pérolas, esquecidas ou não, que valem a pena serem relembradas. A primeira é uma história do instrutor Irineu, que me enviou a bela memória a seguir:

"Dia desses, surfando na internet, me deparei com um post num blog de fanáticos que tinha a ver com carros que de alguma forma capturam ou capturaram nossa atenção. O título do post era algo como eye catcher

Eu já comprava as revistas Quatro Rodas e Auto Esporte desde muito cedo e literalmente viajava nas bonitas formas aerodinâmicas dos carros de corrida de então. Já conhecia a maioria dos carros por nome e já tinha decorado suas fichas técnicas. Carros, especialmente os de corrida, já ocupavam grande parte da minha vida. Tanto assim que tentei convencer minha professora do 2° ano primário a trocar seu VW Sedan 1200 por um carro projetado por mim, baseado no Mildren Alfa que competia na Copa da Tasmânia.

Lembrei então da primeira vez em que fui levado pelo meu pai a Interlagos. Foi em 1970, época da Copa Brasil, que aconteceu na onda da primeira invasão brasileira bem sucedida nas pistas européias. Vários protótipos e carros GT europeus vieram medir forças com a nata do automobilismo brasileiro da época. Uma Ferrari 512S vermelhíssima passou pela reta dos boxes no exato instante em que nos preparávamos, eu e meu pai, para subir a escada da arquibancada logo em frente. Em quinta marcha, a caminho da curva Um, muito acima dos 200 km/h e deixando um rastro de borracha, sinal de que o V12 naquele ponto da pista ainda tinha muito a empurrar.

Esta cena ainda está viva na minha memória: a 512S vindo em minha direção com um barulho agudo do motor e do vento contornando sua carenagem se tornando cada vez mais altos, a explosão ao passar bem diante do meu nariz e se tornando mais grave por conta do efeito Doppler enquanto se afastava na direção da curva Um capturaram minha alma para sempre.

Um dia eu iria guiar um carro naquele mesmo lugar."

Irineu Desgualdo Jr.

Valeu, Irineu. Sei que você guiou muito carros nesse mesmo lugar.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

MARAZZI-VÊ

Este Fórmula Volkswagen foi o primeiro Marazzi-Vê, de fabricação própria, vendido a um aluno do Curso Marazzi de Pilotagem, o piloto Clovis Testa. Quem nos enviou a fotografia, de 1980, foi seu irmão José Luis Testa.
Depois de fabricar vários Marazzi-Vê para uso na escola de pilotagem, Expedito começou a vendê-los completos, como é o caso deste carro, e em forma de kit, para que o comprador o montasse.
Há um exemplar bem restaurado do Marazzi-Vê no acervo do Paulo Trevisan, em seu Museu do Automobilismo Brasileiro.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A PRIMEIRA CORRIDA


por Expedito Marazzi


Já mais “grandinho”, minha primeira aquisição motorizada foi uma motocicletas James 125, com a qual ia sempre a Interlagos treinar. Naquela época, com uma pequena taxa paga na portaria podia-se entrar na pista. Passei a fazer o mesmo com maus carros, inclusive um MG TC que já hhavia sido de corrida. Mas foi com um MG Tourer 1.500 que eu criei coragem e fui até o Automóvel Clube, na Av. Brigadeiro Luiz Antonio, fazer minha inscrição oficial em uma prova. Mesmo com apenas 17 anos, saí de lá com a inscrição feita e o número 94 pintado na porta, com esparadrapo. 

Na largada, eu estava tão emocionado que falei a um repórter da Rádio Panamericana o meu nome, esquecendo do apelido “Speedy”. Na hora da bandeirada o juiz de largada, Arrigo Squarzoni, interrompeu a prova e veio furioso, perguntando do meu capacete. Eu nem sabia que precisava. Mas um sujeito que estava perto me emprestou um, pois ele correria apenas na prova seguinte. Era Ciro Caires.

Eu estava até bem na prova, fazendo até muitas ultrapassagens, quando o motor começou a falhar e tive que parar. Ao chegar em casa, meu pai tinha ouvido pelo rádio as peripécias daquele novato no MG, de forma que fiquei de castigo por algum tempo, sem poder correr. Aliás, só fui fazer isso novamente dez anos depois, já adulto e trabalhando como repórter da Revista Quatro Rodas.

sábado, 30 de maio de 2009

OS INSTRUTORES



A fotografia acima é de 1978, durante uma das aulas práticas em Interlagos. O instrutor é Edgard Ajax, piloto de competição que participou durante muitos anos como instrutor no Curso Marazzi de Pilotagem. Os carros, um Chevette 1974 "mágico", que aturou as barbeiragens de muitos alunos e as ousadias de alguns outros, incluindo as do próprio Expedito, e um monoposto Marazzi-Vê, de construção própria, com motor Volkswagen 1.300. A foto é do acervo pessoal do próprio Ajax, que tem muitas histórias para contar sobre seus anos de "escolinha".